Trechos do Livro

Capítulo 1 - As Origens


Quando surgiu, no século VII a.C., o dinheiro tinha três funções principais. A primeira e mais óbvia era servir como instrumento de troca. O dinheiro suspendeu o toma lá dá cá do escambo e possibilitou a aquisição de uma cabra mesmo que o comprador não tivesse três sacos de feijão com os quais pagar.

A segunda função do dinheiro era homogeneizar o valor das coisas, eliminando assim infindáveis negociações a cada transação. Se não fosse pelo dinheiro, o comércio de bens e serviços seria até hoje uma estafante barganha entre “o que eu quero” versus “o que tenho a oferecer”.

Em março o jeans custava dois bolos de chocolate, mas a vendedora começou um regime e agora, em agosto, cobra pela mesma calça oito sessões com um personal trainer. Você não se graduou em Educação Física? Encontre outra loja.

A terceira função era servir como reserva até que uma aquisição fosse necessária. Além de ser um instrumento de troca de valor consensual, o dinheiro podia ser estocado sem desenvolver praga, sem adoecer nem mofar. Foi o fim da era em que as batatas precisavam ser consumidas ou passadas adiante depressa, antes que começassem a brotar. As funções básicas do dinheiro continuam as mesmas. Mas nossa relação com ele... Quanta diferença! Não é exagero afirmar que dinheiro é o último tabu das rodas de conversa.


Política, religião e sexo (principalmente sexo!), os temas polêmicos por excelência, há muito tempo frequentam papos sociais, programas de TV, revistas nas bancas e aulas nas escolas.

Porém, enquanto convicções partidárias, orientações de fé e comportamentos íntimos são debatidos abertamente, finanças, riqueza, salários, investimentos e outros aspectos do dinheiro seguem como assuntos malvistos, considerados de mau gosto. Especialmente entre mulheres.

Para a elaboração deste livro, foram entrevistadas centenas de pessoas entre 18 e 70 anos de muitas cidades do país, com diferentes vivências e estruturas familiares. Perguntados sobre o que deveriam ter feito ou evitado fazer, no passado, para que hoje fossem ricos, os homens simplesmente responderam.

As mulheres, por outro lado, muitas vezes sentiram necessidade de diferenciar riqueza financeira de riqueza espiritual ou moral.

Além disso, sublinharam o mérito de terem se tornado quem são. Em relação a eles, elas estavam claramente menos à vontade com a ideia de acumular riqueza.


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